O Tribunal do Júri de Araçatuba condenou, em julgamento realizado nesta quinta-feira (13), o caminhoneiro Bruno Henrique Brandão à pena de 58 anos e 4 meses de prisão pelo assassinato da enfermeira Evelyn de Souza, 40 anos, em março do ano passado, crime que gerou grande repercussão à época.
Segundo o processo, ele estrangulou a vítima e depois escondeu o cadáver em um canavial às margens da rodovia Elyeser Montenegro Magalhães, na saída para Santo Antônio do Aracanguá.
O júri começou por volta das 9 horas da manhã no Fórum de Araçatuba e a sentença foi lida pouco depois das 17h. Por maioria, os sete jurados reconheceram a culpa do réu nos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver.
“Sobre os crimes de feminicídio e ocultação de cadáver, nas circunstâncias em que praticado no caso vertente, anoto que a sociedade brasileira não tolera mais o vergonhoso índice de criminalidade contra a mulher que insiste em se manter em patamares inaceitáveis”, escreveu o juiz Carlos Gustavo de Souza Miranda, no momento em que definia o tempo da pena do acusado.
Evelyn era mãe de três filhos, sendo uma criança e um casal de adolescentes gêmeos. Segundo o processo, Bruno matou a companheira por não se conformar com o fim de um relacionamento de dois anos que tinham, bastante conturbado e marcado por ciúmes e várias agressões físicas contra a vítima. A última discussão do casa foi por conta de um veículo.
“Esse crime brutal que ora se aprecia foi praticado simplesmente por conta de uma discussão envolvendo um veículo. A vida de uma mãe de três menores, única filha mulher e adotiva de uma família amorosa, foi ceifada brutalmente por um motivo banal, evidenciando o desvalor que o Réu atribui à vida humana”, disse o juiz.
O promotor de justiça Adelmo Pinho informou após o júri que não pretende recorrer da decisão. A reportagem do Portal Nossa Guia não conseguiu contato com a defesa do acusado. Assim que conseguir, o texto será atualizado.
O réu está preso desde à época do crime e não poderá recorrer do julgamento em liberdade.
RELEMBRANDO O CASO
De acordo com a investigação, no dia do assassinato, 2 de março, eles tiveram mais uma briga.Tudo aconteceu na residência do casal, na rua Antônio do Nascimento, Jardim Etemp. O caminhoneiro ficou bastante agressivo e acertou a mulher com um soco no rosto, fazendo-a cair. Com ela já no chão, ele apertou o pescoço da vítima causando a morte por asfixia. Na sequência o réu colocou o corpo da mulher no porta-malas do carro dela e o levou até o canavial onde o deixou na tentativa de ocultar o cadáver.
O homicídio foi descoberto três dias depois, quando o funcionário de uma usina de álcool encontrou o corpo da mulher, em estado de decomposição.
ABORDAGEM
A Polícia Militar foi acionada e com as primeiras notícias sobre o homicídio, a PM levantou informação de que uma equipe tinha abordado, um dia depois do crime, um homem em um bar na rua do Fico, após denúncia anônima de que ele estaria sujo de sangue e com uma arma. Na abordagem, a polícia não achou a arma e ele foi liberado. Mas a PM registrou o procedimento, anotando o nome e dados pessoais do suspeito, que era o caminhoneiro Bruno Brandão.
Suspeitando de uma possível ligação entre o homicídio e a abordagem, policiais foram até o endereço indicado pelo suspeito do bar. Chegando lá, o denunciado confessou ter matado Evelyn e indicou o local onde tinha ocultado o cadáver, além de ter mostrado a camiseta utilizada no crime, que apresentava vestígios de sangue. Ele foi preso em flagrante e depois teve decretada a preventiva.
