O júri popular da tentativa de homicídio contra o vereador Damião Brito, 53, crime cometido em 3 de abril de 2023, em Araçatuba (SP), terminou já de noite, nesta quinta-feira (27), com a condenação dos dois acusados. No banco dos réus estavam Jair Rossi dos Santos e Patrício Ferreira dos Santos, pai e filho respectivamente. Apenas o segundo responde ao processo preso e assim continuará após o júri.
Os réus foram denunciados por tentativa de homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foram denunciados por furto. Tudo aconteceu por causa de uma briga sobre o pagamento de um imóvel rural que a vítima havia vendido para Jair.
De acordo com o resultado do julgamento, Jair Santos teve o crime de tentativa de homicídio desclassificado para o de lesão corporal grave. Ele então foi condenado à pena de 4 anos e 9 meses de prisão. Já o filho, Patrício, teve a participação na tentativa de homicídio qualificado contra a vítima reconhecida pela maioria dos jurados, recebendo então a sentença de 11 anos e 8 meses de prisão. Os dois foram absolvidos pela prática do furto.
O pai vai ter que cumprir a pena em regime semi-aberto, mas poderá recorrer da decisão em liberdade. Já o filho terá que cumprir a sentença em regime fechado, porém continuará preso, pois não teve o direito de recorrer em liberdade.
O júri popular começou por volta de 9h e a sentença foi lida após 19 horas. O promotor de Justiça, Adelmo Pinho, informou que vai recorrer da decisão. Já os advogados que defenderam os réus, Bruno Barroso Mendes e William Cardoso Dias, consideraram que o resultado “representa uma importante vitória da defesa”.
Na época das agressões, a vítima ainda não exercia o mandato de vereador na cidade, tendo sido eleito em 2024.
COMO ACONTECEU O CRIME
Segundo o processo, no dia do ataque, por volta das 12h, Jair ligou para a vítima dizendo que tinha dinheiro para pagar uma parcela do imóvel e marcou um encontro na rua Baguaçu. Ao chegar ao local combinado, por volta das 16h, o motorista viu Jair acompanhado de seu filho, Patrício, e parou o carro para que eles entrassem.
Já dentro do veículo, Patrício sentou no banco do passageiro dianteiro e Jair sentou no banco traseiro carregando uma pasta. Sob o pretexto de buscarem o dinheiro em um banco no centro da cidade, Jair pediu que o motorista seguisse viagem, mas logo em seguida sacou uma faca grande de dentro da pasta e a colocou no pescoço da vítima, anunciando o assalto.
Durante o trajeto, Patrício incentivou o pai a matar o motorista e também pegou uma faca para ameaçá-lo. Ao perceber o perigo iminente, a vítima reagiu dando um soco em Patrício e tentou desembarcar com o carro ainda em movimento, mas acabou ficando presa pelo cinto de segurança, com metade do corpo para fora do veículo.
Aproveitando que o motorista estava preso, Jair passou a golpeá-lo com a faca nos braços, mãos, ombro e pescoço. Em seguida, Patrício assumiu a direção e acelerou o automóvel, arrastando o homem pelo asfalto por cerca de 200 metros, até que a vítima foi atingida de raspão por outro carro e se soltou do cinto.
Após o ataque, os acusados fugiram com o carro, celular, documentos e R$ 2.300 da vítima, abandonando o veículo dias depois em um canavial na região de Birigui. A vítima conseguiu caminhar ferida até uma guarita próxima para pedir socorro e sobreviveu.
