Um morador de Penápolis (SP) procurou a reportagem do Nossa Guia para reclamar de uma situação vivida semanas atrás — um problema que, basta uma busca rápida na internet para ver, tem se repetido em diversas cidades e estados: o arremesso de encomendas para dentro das casas dos clientes.
Foi exatamente o que aconteceu com o internauta penapolense. Uma entregadora terceirizada, contratada por um site de compras, arremessou a mercadoria por cima do portão da residência, fazendo o pacote despencar de uma altura de mais de dois metros.
Nas imagens enviadas pelo morador, a entregadora chega de carro à residência. Como não havia ninguém no imóvel naquele momento, ela retorna ao veículo e aguarda por alguns instantes. Logo em seguida, pega o produto e o lança por cima do portão, fazendo a encomenda cair dentro da garagem.
“Achei o procedimento incorreto. No meu caso, o aparelho eletrônico não sofreu danos, mas poderia ter quebrado. O correto seria buscar outra alternativa, como voltar em outro horário, tentar contato por telefone ou até deixar o pacote com algum vizinho. No entanto, ela chegou e foi embora em poucos instantes”, relatou o morador, que pediu para não ser identificado. “Estão inovando, pelo visto”, brincou.
OUTRO LADO
A responsável pela entrega entrou em contato com o Nossa Guia na manhã de segunda-feira (21) alegando que tinha autorização pra que fizesse a entrega daquele modo.
O portal procurou então novamente o cliente que negou qualquer tipo de autorização. Além disso, apresentou um documento com a inscrição: “O pacote foi entregue nas mãos de um morador”.
CAINDO DO CÉU
Quem compra pela internet já conhece a expectativa de esperar pelo entregador. O problema é quando o pacote chega — literalmente — caindo do céu. A prática de arremessar encomendas para dentro de garagens, quintais ou por cima de muros virou motivo de revolta, deixando um rastro de eletrônicos quebrados, utensílios destruídos e muita dor de cabeça.
PREJUÍZOS
Nas redes sociais e canais de reclamação, os relatos se acumulam. Além dos prejuízos materiais com produtos frágeis danificados pelo impacto, os clientes enfrentam outro transtorno: o falso registro de entrega. É comum o aplicativo avisar que a encomenda foi “entregue em mãos a um morador” quando, na verdade, foi lançada sem qualquer aviso prévio. Em casos mais absurdos, o status chega a registrar o recebimento por destinatários inusitados, como a própria “grama” do quintal.
CÓDIGO DO CONSUMIDOR
Se você passou por algo parecido, saiba que a lei está ao seu lado. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), a responsabilidade por esses danos é solidária. Isso significa que toda a cadeia de fornecimento — desde a loja virtual até a transportadora responsável pelo serviço — responde pelo prejuízo. Na prática, o e-commerce não pode “tirar o corpo fora” nem empurrar a culpa para o entregador terceirizado: a empresa tem a obrigação legal de resolver o problema.
Para evitar prejuízos, a recomendação é agir rápido. Assim que perceber a situação, tire fotos e grave vídeos do pacote exatamente onde ele caiu, registrando o estado da embalagem e do produto. Se a sua casa tiver câmeras de segurança, guarde a gravação do momento do arremesso, pois ela serve como prova indiscutível.
Com esse material em mãos, entre em contato direto com o suporte da loja para exigir a troca do item ou o reembolso. Caso a empresa crie dificuldades, vale registrar uma queixa no Procon ou em plataformas de resolução de conflitos para garantir seus direitos.
