Enquanto a busca por filhotes continua alta, a adoção de cães adultos resgatados — e, principalmente, de animais de grande porte — registra uma dificuldade muito maior de encontrar um novo lar se comparada aos pets menores. A situação tem lotado os espaços de proteção e preocupado protetores independentes e abrigos.
O reflexo dessa realidade é sentido de perto por Belmiro Moroni Filho, o Miro, responsável pelo GRUPA (Grupo Unido Pelos Animais), abrigo de Birigui (SP) que há sete anos resgata cães abandonados ou vítimas de maus-tratos.
“Infelizmente, a realidade é que a adoção de animais adultos resgatados é muito difícil; ninguém os procura. Quando são de grande porte, a situação se agrava”, comenta Miro. Ele também faz um apelo: “Gostaríamos de fazer um apelo para que as pessoas tenham um olhar mais atento na hora da adoção, considerando não apenas os filhotes, mas também os animais adultos e de grande porte”.
Miro explica que essa baixa procura pelos grandões gera um efeito cascata: falta espaço físico e o abrigo fica com a superlotação cronificada, o que acaba inviabilizando novos resgates. Atualmente, o local abriga 47 cães, entre filhotes e adultos.
RECUSA
“Infelizmente, sou obrigado a recusar a maioria dos pedidos de resgate, pois nossas baias estão lotadas. Não há espaço físico para novos animais. O sistema é matemático: precisamos promover a adoção dos animais que já estão aqui para abrir vagas para novos resgates. Só conseguimos ajudar um novo animal se outro for adotado”, lamenta o responsável.
Apesar dos mitos de que cães maiores dão mais trabalho, geram altos custos ou são mais agressivos — somados às barreiras de quem mora em apartamentos ou casas pequenas —, há quem escolha ir na contramão dessa estatística e decida abrir espaço no coração e no lar para um “cachorrão”.
CHEIO DE ENERGIA
É a situação do casal de professores Éder Alves Pereira e Larissa Baldo de Arruda. Eles já tinham a Gamora, um pitbull, e adotaram o Iron, outro cão da mesma raça. Ele é cheio de energia, carinhoso e brincalhão. Não pára um segundo quieto — tanta animação, aliás, que quase virou atração à parte na hora de gravar a entrevista, com direito a participações atrapalhadas do cão nos takes. Mas o casal ama o pet exatamente do jeito que ele é, sem tirar nem por. Éder nunca escondeu a preferência por cães de grande porte e encontrou no Pitbull um verdadeiro parceirão para todas as horas, especialmente nos momentos de lazer e caminhadas.
Para quem ainda tem dúvidas sobre levar um cão grandão para casa, o argumento final vem de quem convive diariamente com eles. Miro garante que o esforço é recompensado por um laço único: “Por serem animais resgatados que muitas vezes sofreram maus-tratos, eles demonstram uma gratidão e um afeto diferenciados. É uma experiência transformadora”.
SERVIÇO
Se você se convenceu e quer dar uma oportunidade a um cão de grande porte, que tal conhecer o espaço? O GRUPA fica aberto todos os dias, das 7h30 da manhã às 18h, na Rua Bento da Cruz, 263, Centro de Birigui. O abrigo reforça apenas que é fundamental que toda a família esteja de acordo com a decisão, garantindo que o novo integrante seja recebido com muito carinho e responsabilidade.