A Polícia Civil pediu e a Justiça decretou a prisão preventiva do homem de 58 anos suspeito de tentar matar o filho, de 29 anos, durante uma briga na casa da família, no sábado de manhã (26), em Birigui (SP).
A decisão foi tomada pelo juiz Marcel Peres Rodrigues em audiência de custódia realizada na manhã de domingo (27). O Ministério Público havia se manifestada pela prisão.
O juiz fundamentou a decisão levando em consideração os ferimentos sofridos pela vítima e o depoimento de todos os envolvidos, inclusive o da mãe, que presenciou os fatos e interveio para que o marido parasse com o ataque. No entendimento dele, o argumento de que o autor agiu em legítima defesa precisa ser melhor investigado, ressaltando que a esposa apresentou uma versão diferente e que o suspeito não apresentava nenhuma marca aparente de agressão.
“No mais, a conduta criminosa imputada ao autuado (tentativa de homicídio qualificado contra o filho) causa repúdio não somente à vítima e seus familiares, como também a toda a sociedade, que não suporta conviver com tamanha sensação de intranquilidade, o que recomenda maior rigor judicial, exigindo pronta reação do Estado para a garantia da ordem pública. Assim, torna-se imperioso que o autuado permaneça detido, em primeiro plano, para salvaguardar a integridade física e psíquica da vítima e das testemunhas que com ele convivem no mesmo núcleo familiar e profissional e manifestaram fundado temor de represálias e, ainda, para garantia da ordem pública, não apenas evitando-se a reprodução dos fatos criminosos, mas também se acautelando o meio social, profundamente afetado por crimes desta natureza, e assegurando-se a própria credibilidade das instituições”, fundamentou o magistrado.
Com a decretação da preventiva, o suspeito ficará preso por tempo indeterminado. O inquérito segue em andamento pelo crime de tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.
HISTÓRICO
O desentendimento começou ainda de manhã por motivos banais: o pai reclamou do horário em que o filho chegou em casa e questionou a atuação dele na empresa da família.
No ápice da discussão, o pai atacou o filho com uma faca, atingindo-o no braço, no ombro e nas costelas. A agressão só cessou após a intervenção da mãe.
A vítima foi socorrida ao Pronto-Socorro Municipal, onde foi medicada, levou pontos nos ferimentos e passou por exames de imagem. Após um período em observação, o jovem recebeu alta médica.
Acionada, a equipe da Polícia Civil foi até o local e encontrou marcas de sangue no chão e nas paredes de vários cômodos. O homem autorizou a entrada dos agentes, indicou onde a agressão ocorreu e entregou a faca utilizada. O local permaneceu isolado para o trabalho da perícia, que recolheu a arma.
Na delegacia, o investigado confessou os golpes, mas alegou que agiu para se defender. Segundo ele, o filho o teria agredido com socos e o segurado pelo pescoço. O pai não apresentava marcas visíveis de agressão, embora tenha se queixado de dores pelo corpo. Já o filho negou ter agredido o pai, afirmando apenas que o empurrou para se afastar.
Por conta de todas as informações reunidas, o delegado responsável, Danilo Buck de Albuquerque, decretou a prisão em flagrante, agora, convertida em preventiva.
