A Polícia Civil de Birigui (SP) informou, em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (28), que a apuração do caso do aluno de 13 anos atingido na cabeça com uma pá de lixo por outro estudante, de 15 anos — ocorrido em julho passado dentro de uma escola cívico-militar do município —, está na reta final. No momento, a delegacia aguarda o resultado do laudo do Instituto Médico Legal (IML) para concluir o inquérito.
O delegado Ícaro Oliveira Borges informou que o documento deve ficar pronto em cerca de dois meses. A principal questão a ser respondida pelo laudo é se a pancada com a pá de lixo foi a causadora da lesão grave na cabeça apresentada pela vítima dias após o incidente, ou se o aluno já possuía uma condição médica pré-existente, o que afastaria eventual conduta criminosa (tratando-se, no caso, de ato infracional, já que o autor é menor de idade).
Conforme noticiado pelo portal Nossa Guia no início de agosto, com o avanço das investigações e, sobretudo, após a análise das imagens das câmeras de segurança da escola, perdeu força a hipótese inicial de que o golpe com a pá teria sido o causador direto da lesão grave. A pá de lixo é de plástico, com cabo de metal.
Informação que reforça esse entendimento é a avaliação de uma médica da Santa Casa que prestou atendimento ao aluno. Segundo análise dessa profissional, a situação de saúde apresentada pelo menino é resultado de uma malformação arteriovenosa, caracterizada como uma condição pré-existente.
“A vítima poderia ter desencadeado essa condição em outras situações, como em uma atividade esportiva, ao receber uma bolada na cabeça, o que também poderia ter provocado o traumatismo cranioencefálico e a hemorragia em virtude dessa malformação pré-existente. Segundo a médica, a causa não foi o impacto com a pá, mas sim a condição preexistente que acabou sendo desencadeada”, afirmou o delegado Ícaro Borges.
Com a palavra final do médico legista, a polícia deverá encerrar o inquérito. O desfecho poderá apontar para lesão corporal ou ser arquivado por não ter se comprovado nenhuma responsabilidade pelo problema de saúde, caso prevaleça a hipótese de doença pré-existente.
Atualmente, o aluno que apresentou o problema de saúde não está frequentando as aulas por orientação médica.
O CASO
O fato aconteceu no dia 29 de julho, na escola estadual Professora Esmeralda Milano Maroni, bairro Perdizes. O autor é outro aluno da mesma escola e mesma série. No dia seguinte, os alunos envolvidos foram ouvidos por dirigentes da escola e disseram que tudo não passou de uma brincadeira. Ambos foram orientados sobre o comportamento inadequado.
Porém, pouco tempo depois, a mãe do aluno agredido procurou a escola contando que o filho passou a reclamar de dores fortes de cabeça, o que a fez procurar atendimento médico. Segundo ela, exames de imagem constataram uma lesão intracraniana, o que gerou a transferência do menino para a Santa Casa de Araçatuba, onde ficou internado por cerca de 19 dias.
