O menino de 2 anos, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Araçatuba (SP) com fraturas e hematomas espalhados pelo corpo — em um caso tratado pela polícia como tortura e tentativa de homicídio —, já tinha passado pelo menos duas vezes pelo Pronto-Socorro Municipal para atendimento médico com lesões pelo corpo. Assim como justificou na delegacia na tarde de ontem (19), a mãe também atribuiu os ferimentos a um acidente doméstico: no caso, uma queda da cama.
A mãe e o padrasto da criança estão presos preventivamente. Eles respondem por tentativa de homicídio qualificada por motivo fútil, por recurso que impossibilitou a defesa da vítima e por ser praticado contra menor de 14 anos, além de responderem por tortura.
Segundo os médicos da Santa Casa, o menino apresenta traumatismo cranioencefálico gravíssimo, hemorragia subaracnóidea, fratura occipital, contusão pulmonar bilateral e múltiplos hematomas — lesões que, na avaliação da equipe médica, são compatíveis com agressões e podem ter acontecido dentro da casa da família. Ainda de acordo com os médicos, o paciente corre risco de morte cerebral.
Conforme a Polícia Civil, o histórico de atendimento da criança no PS é indício de que as agressões eram frequentes. Os registros disponibilizados pelo Pronto-Socorro Municipal mostram que, em 15 de agosto passado, a criança foi atendida naquela unidade acompanhada da mãe, que alegou que o filho teria sofrido uma queda de um colchão. A criança apresentava edema e dor na região posterior do ombro.
Em 8 de outubro, houve novo atendimento médico, quando foi constatado edema na região genital da criança, com relato de piora progressiva do quadro. Por conta dessa situação, a assistente social do PS já tinha oficiado o Conselho Tutelar sobre o caso do menino.
CASO DE ONTEM
Segundo noticiado ontem pelo portal Nossa Guia, o menino deu entrada pela manhã na Santa Casa trazido pela mãe. Uma médica que prestou o atendimento inicial contou que a mulher, por estar grávida, passou mal durante a permanência no local, recebeu medicação e, em seguida, deixou a Santa Casa, deixando o filho sozinho sob cuidados médicos.
Devido à gravidade dos ferimentos do menino, o hospital acionou a Polícia Militar. Uma equipe foi até a residência do casal, no bairro Águas Claras, onde a mãe contou aos policiais que havia saído para levar o outro filho à creche. Segundo o relato dela, ao retornar cerca de quatro minutos depois, encontrou o filho no colo do marido, quase desacordado.
Ela afirmou ter ido imediatamente até a casa do pai para pedir que os levasse ao Pronto-Socorro da Santa Casa. No caminho, o combustível do veículo acabou e eles precisaram chamar um motorista de aplicativo para concluir o trajeto. A mulher informou ainda que o marido alegou que o menino havia caído da cama.
A reportagem procurou a assessoria da Santa Casa para obter informações sobre o estado de saúde atual da criança, mas o hospital alegou que não poderia passar nenhum dado referente à ocorrência por se tratar de menor de idade e por envolver o Conselho Tutelar.
