O novelista Benedito Ruy Barbosa, responsável por sucessos como Pantanal e Terra Nostra, morreu nesta terça-feira (7), em São Paulo, devido a complicações causadas por insuficiência renal crônica. As informações são do portal G1.
Entre suas obras mais emblemáticas estão “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Pantanal” (1990), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999). Em comum, essas produções apresentam protagonistas guiados pela honestidade, perseverança e confiança em valores considerados fundamentais, características frequentemente destacadas pelo próprio escritor.
Filho mais velho entre cinco irmãos, Benedito Ruy Barbosa nasceu em Gália, em 1931, e passou a infância em Vera Cruz, na região de Marília, cercado por lavouras de café e fortemente influenciado pela presença de imigrantes italianos e japoneses.
Após perder o pai ainda jovem, precisou ingressar cedo no mercado de trabalho para contribuir com o sustento da família. Atuou em diferentes funções, como auxiliar comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conquistar uma vaga como revisor no jornal Estado de S. Paulo.
PRIMEIRO ROMANCE
A paixão pela literatura resultou em seu primeiro romance, “Fogo Frio”, obra que posteriormente ganhou adaptação para o teatro e recebeu um prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte, abrindo caminho para sua carreira como roteirista.
Sua estreia na televisão ocorreu em 1966, com “Somos Todos Irmãos”, exibida pela TV Tupi. Depois, trabalhou em emissoras como TV Excelsior, Record TV e TV Cultura. Em 1971, escreveu “Meu Pedacinho de Chão”, produção realizada em parceria entre a Cultura e a Globo e transmitida pelas duas emissoras.
Cinco anos mais tarde, passou a integrar o quadro de autores da TV Globo, onde iniciou uma sequência de novelas de destaque no horário das 18h. Nesse período, adaptou o romance de Ribeiro Couto para a novela “Cabocla”, exibida em 1979.
NOVELA RECUSADA NA GLOBO
Em 1990, durante sua passagem pela TV Manchete, escreveu “Pantanal”, novela que revolucionou a teledramaturgia ao apostar em gravações em locações naturais e ao destacar a cultura e as paisagens do bioma brasileiro. A novela foi recusada à epoca pela TV Globo, mas voltou a ser notícia ao ganhar um remake de enorme sucesso na própria emissora em 2022.
Depois do enorme sucesso da produção, retornou à Globo para desenvolver “Renascer” (1993), ambientada no interior da Bahia e centrada nos conflitos familiares vividos pelo coronel José Inocêncio. Décadas depois, tanto “Pantanal” quanto “Renascer” ganharam novas versões adaptadas por seu neto, Bruno Luperi.
Em “O Rei do Gado”, exibida em 1996, Benedito retratou o conflito entre duas famílias descendentes de italianos, ao mesmo tempo em que abordou questões relacionadas à concentração fundiária e à reforma agrária.
Já em “Terra Nostra”, lançada em 1999, contou a trajetória dos imigrantes italianos Matteo e Giuliana, separados logo após desembarcarem no Brasil no início do século XX.
O escritor também voltou a trabalhar em novas versões de produções de sua autoria. Em 2006 e 2014, assinou os remakes de “Sinhá Moça” e “Meu Pedacinho de Chão”.
Em 2016, lançou “Velho Chico”, trama ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino, que explorava conflitos familiares e disputas por terra e poder.
UMA HISTÓRIA DE AMOR
Ao comentar sua forma de escrever novelas, Benedito Ruy Barbosa resumiu sua filosofia em depoimento ao Memória Globo: “Antes de tudo, uma novela precisa contar uma grande história de amor”.
No início deste ano, em janeiro, Benedito permaneceu internado por 19 dias no HCor para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica.
VELÓRIO
O velório será realizado nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, localizado no bairro da Bela Vista, na região central da capital paulista.
