A Justiça de Araçatuba marcou para a quinta-feira (16), a partir de 9h da manhã, no fórum da cidade, o júri popular do filho acusado de matar a mãe, de 74 anos, com cerca de 25 golpes de martelo na cabeça. Esse caso cruel e bárbaro aconteceu em outubro de 2020 no bairro Jardim Nova Iorque, de classe alta, chocando toda a região.
Segundo o processo, Aqueharu Yamaguchi Junior, que tinha 35 anos à época dos fatos, era usuário de drogas e em torno de cinco meses antes do crime tinha voltado do Japão quando passou a morar com a mãe, a aposentada Alzira Pinto da Silva. No entanto, a convivência era difícil, marcada por vários desentendimentos.
De acordo com o processo, no domingo dia 4 de outubro de 2020, quatro dias antes do assassinato, o acusado foi agredido pela mãe na frente de amigos, o que o deixou bastante irritado. A agressão foi filmada e postada nas redes sociais.
“Por esse motivo, sentindo-se humilhado e não se conformando com os fatos, o denunciado resolveu se vingar e matar a vítima, isto é, a própria mãe idosa”, escreveu o Ministério Público em trecho da denúncia oferecida à Justiça.
MÃE TROUXE LANCHE PARA O FILHO
Na visão da promotoria, após se sentir humilhado, o filho passou a planejar o assassinato da mãe, esperando a hora certa de agir. No dia do crime, a idosa tinha saído de casa. Quando ela voltou, mesmo trazendo um lanche para o filho, nada mudou os planos do acusado: Assim que ela foi trocar de roupa no quarto dela, o filho chegou de surpresa por trás, sem que a vítima notasse, e então deu dois golpes de martelo na cabeça.
VÍTIMA IMPLOROU PELA VIDA
Segundo conta no processo, a vítima implorou para o denunciado parar, mas sem nenhuma piedade, ele a segurou pelo pescoço e deu cerca de vinte e cinco golpes de martelo contra a cabeça da mãe. Conforme o laudo da perícia, a idosa apresentava lesões nos antebraços e mãos, sugerindo que ela tentou se defender das agressões enquanto era atacada.
TOMOU BANHO E FUGIU
Após o homicídio, o réu tomou banho, trocou de roupa, pegou dinheiro da vítima e, usando o carro dela, fugiu. A idosa não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
PRISÃO
Dois dias após o crime, o filho ligou para uma tia confessando que havia matado a mãe. Um parente foi até a casa, arrombou a porta e achou o corpo da vítima. A arma do crime estava em cima da cama, com sangue e quebrada ao meio. A polícia iniciou as buscas e o réu foi preso dentro de uma casa em um conjunto habitacional da cidade, após policiais encontrarem o carro da mãe estacionado no local.
O Ministério Público denunciou o acusado por homicídio qualificado por motivo torpe, tendo ele agido por vingança contra a mãe porque teria se sentido “humilhado por ela quando, dias antes, lhe agrediu na frente de amigos”. O MP também qualificou o crime por motivo cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e pela condição de ser mulher (feminicídio).
