A Polícia Civil de Birigui (SP) divulgou na manhã desta terça-feira (22), durante coletiva à imprensa, que o motorista responsável pelo atropelamento e morte do menino Guilherme Correa Lima, de 1 ano e 8 meses, ocorrido no último sábado (19), negou ter fugido sem prestar socorro. Segundo ele, nem o condutor nem o passageiro perceberam o acidente no momento em que ele aconteceu.
A entrevista foi concedida pelo delegado Ícaro Oliveira Borges, responsável pelo inquérito aberto para apurar o crime de homicídio culposo (sem intenção) na direção de veículo automotor, agravado por fuga do local. De acordo com o delegado, o motorista, de 35 anos, apresentou-se na delegacia na segunda-feira (21) e prestou depoimento acompanhado de advogados. O passageiro também foi ouvido.
Conforme os relatos prestados à polícia, ambos afirmam que não viram a criança entrar na frente do carro e tampouco se deram conta do atropelamento.
“Os dois que estavam no veículo sentiram um desnível e até comentaram entre si. O motorista disse que pensou se tratar de uma pedra, de um pedaço de madeira ou de um buraco na rua, e seguiram em velocidade constante. Ambos falaram que o veículo estava com os vidros fechados, que não ouviram nenhum grito ou situação anormal, e que estavam ouvindo música. Então, seguiram destino”, contou o delegado durante a coletiva.
No boletim de ocorrência, o pai da criança relatou que tentou chamar a atenção dos ocupantes do veículo. Segundo o que disseram à polícia, o motorista e o passageiro só ficaram sabendo do fato mais tarde, durante a repercussão do caso nas ruas.
Apesar de ressaltar que as investigações ainda estão em andamento, o delegado Ícaro Oliveira Borges informou que há indícios técnicos que corroboram a versão do motorista de que não houve fuga. Como exemplo, ele citou o fato de o carro ter deixado o local mantendo a mesma velocidade ao longo do trecho captado pelas câmeras de segurança que registraram o acidente.
BEBIDA ALCOÓLICA
A Polícia Civil também apura se o motorista consumiu bebida alcoólica ou outra substância ilícita no dia do fato, o que foi negado por ele. Em depoimento, o condutor alegou que havia buscado o passageiro em uma cervejaria da cidade para darem uma volta de carro.
“Estamos apurando essa questão. Ontem estivemos na cervejaria, porque no interrogatório o investigado afirmou que não consumiu bebida alcoólica ou substâncias ilícitas, como drogas. Fomos ao local e estamos aguardando respostas, imagens, notas fiscais e comprovantes de pagamento”, explicou o delegado.
Até este momento das investigações, o entendimento preliminar é de que o investigado não teve a intenção de matar. Contudo, a conduta será analisada para verificar uma eventual imprudência, negligência ou imperícia na condução do veículo. Outro ponto analisado é a possibilidade de o motorista não ter culpa alguma pelo o que aconteceu.
Ainda segundo Ícaro Borges, a conduta do pai também é alvo de apuração, com o objetivo de verificar se houve eventual omissão no dever de garantir a segurança do filho e evitar o acidente.
O veículo foi apresentado à delegacia e passará por perícia técnica.
O CASO
O acidente ocorreu por volta das 16h30 na rua Coriolano Pompeu Paes de Campos, no bairro São Genaro, em frente à residência da família.
Imagens de câmeras de segurança auxiliaram a polícia a esclarecer a dinâmica do fato. O vídeo mostra o pai do menino conversando com o passageiro de um carro estacionado. Em seguida, o pai retorna para casa passando pela parte traseira do automóvel, sem perceber que o filho havia saído da residência e ido para a frente do veículo. O motorista avança, resultando no atropelamento.
O carro passou com a roda sobre a cabeça da vítima, provocando afundamento de crânio. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o menino já estava em óbito no local.
Ainda no sábado, a polícia realizou buscas para tentar localizar o motorista e o veículo, sem sucesso. No domingo, o condutor apresentou-se à delegacia com seus advogados e agendou seu depoimento para o início da semana.