A apuração sobre o caso do aluno de 13 anos atingido com uma pá de lixo na cabeça por outro estudante, em julho passado dentro de uma escola cívico-militar de Birigui, ganhou uma nova linha de investigação. Com base nas provas reunidas até o momento pela Polícia Civil, perdeu força a hipótese inicial de que o golpe da pá foi o causador direto da lesão grave da cabeça apresentada pela vítima alguns dias após o fato.
A nova linha de investigação abre possibilidade de a vítima já ter uma doença pré-existente e que o golpe da pá tenha funcionado como uma espécie de ‘gatilho’, levando ao quadro atual do menino. A pá de lixo, propriamente dita, é de plástico, tendo cabo de metal e oco por dentro.
Um elemento que impulsionou essa linha de trabalho foi a imagem de câmera da escola mostrando a saída dos estudantes, quando um deles aparece segurando a pá. No vídeo é possível ver o momento do golpe. No entanto, pelas imagens, segundo avaliação preliminar do delegado do caso, Ícaro Oliveira Borges, o golpe não teve a gravidade ao ponto de causar a lesão detectada na vítima.
“Preliminarmente, a conduta do adolescente sendo analisada com base nas câmeras de segurança, não condiz, de forma técnica, com a gravidade do resultado, lesão corporal trauma craniano. Por isso, neste momento, estamos aguardando informações de perícia de médico legista”, falou o delegado em entrevista ao portal Nossa Guia.
O delegado não descarta a possibilidade de o toque ter desencadeado algum rompimento de vaso ou veia, algo do tipo, que levou à situação atual apresentada pelo adolescente.
“O golpe, pela experiência técnica que tenho, não é condizente com a lesão grave. Pode ser um desencadeamento decorrente do golpe, não o golpe em si”, complementou o delegado.
A investigação prossegue para apuração de ato infracional. A polícia já ouviu dirigentes da escola e o pai da vítima. Também não foi encontrado nenhum indício criminal em desfavor dos pais da vítima. Nos próximos dias a polícia pretende ouvir a mãe do adolescente investigado, a mãe da vítima e espera a chegada dos laudos técnicos.
O CASO
O fato aconteceu no dia 29 de julho, na escola estadual Professora Esmeralda Milano Maroni, bairro Perdizes. O autor é outro aluno da mesma escola e mesma série. No dia seguinte, os alunos envolvidos foram ouvidos por dirigentes da escola e disseram que tudo não passou de uma brincadeira. Ambos foram orientados sobre o comportamento inadequado.
Porém, pouco tempo depois, a mãe do aluno agredido procurou a escola contando que o filho passou a reclamar de dores fortes de cabeça, o que a fez procurar atendimento médico. Segundo ela, exames de imagem constataram uma lesão intracraniana, o que gerou a transferência do menino para a Santa Casa de Araçatuba, onde está internado, sem previsão de alta.
