O Tribunal do Júri de Penápolis condenou hoje (16) à pena de 64 anos e dois meses de prisão, em regime fechado, Maicon Martins dos Santos Pires, acusado pelo feminicídio da ex-companheira, Miriam Cristina Rondoura André, 48 anos, durante a festa de aniversário dela, caso que aconteceu em julho do ano passado na cidade. O crime foi considerado um dos mais violentos da região e chocou pelo fato de a vítima ter sido assassinada a sangue frio na própria comemoração de aniversário e na frente das duas filhas menores de idade.
O júri no Fórum de Penápolis começou pouco depois das 9h30 da manhã e terminou por volta de 15 horas. O réu, que foi preso logo após o assassinato, não poderá recorrer em liberdade.
ENTENDA O CASO
Segundo o processo, o acusado e a vítima tiveram um relacionamento de sete meses e ele não aceitava o fim do rompimento da relação. O crime aconteceu em um quiosque de festas no bairro Jardim Premier, onde Mirian comemorava com amigos e familiares.
EXPULSAS DE CASA
Consta no processo que, por diversas vezes, no final de junho e começo de julho de 2025, o acusado descumpriu medida protetiva de urgência concedida à ex- companheira.
Ainda segundo o processo, no dia 28 de junho de 2025, apenas uma semana antes do feminicídio, o acusado chegou ao ponto de expulsar a vítima e as filhas, na época com 16 e 8 anos – de outro relacionamento da vítima– deixando-as no meio da rua, durante a madrugada. A Polícia Militar foi acionada e prendeu o acusado, que conseguiu sair em liberdade pouco depois.
“TENHO UM PRESENTE PRA VOCÊ”
Inconformado com a recusa da vítima em reatar o relacionamento, o réu decidiu matar a ex-companheira. No dia 4 de julho do ano passado, dia do aniversário da vítima, algumas horas antes do feminicídio, mais uma vez descumprindo medida protetiva que o impedia de se aproximar a menos de 200 metros da vítima, o acusado o denunciado encontrou com a ex-companheira e uma das filhas, e em tom de ameaça, disse: “eu tenho um presente para você; está lá em casa”. Em seguida, deixou o local.
Após descobrir o local onde seria a festa de aniversário, o acusado foi até o local da comemoração, se aproximou da vítima e, sem dizer nada, atirou várias vezes contra ela. Depois disso ele fugiu. A mulher foi socorrida, porém morreu horas depois.
De acordo com a Polícia Militar, o acusado fez os disparos na frente de todos os convidados, incluindo as duas filhas que estavam na comemoração.
A defesa do réu tentou argumentar que o homicídio foi praticado pela violenta emoção logo após uma suposta provocação da vítima, tese que não foi aceita pelos jurados.
