O Atlas Mundial da Obesidade divulgado neste ano traz um dado alarmante para pais e responsáveis: uma em cada cinco crianças e adolescentes está acima do peso ou com obesidade. A condição não se limita a questões estéticas: os especialistas apontam que o excesso de peso gera disfunções metabólicas imediatas. Além de carregar efeitos nocivos já na infância, o problema compromete o desenvolvimento e pode influenciar negativamente a saúde por toda a vida adulta.
A pediatra Raquel Quaresma explica que a criança obesa tem uma defesa mais baixa, isto é, ela fica mais doente do que as crianças com o estado nutricional considerado adequado e saudável. E a longo prazo, diz a médica, elas podem desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes e doenças vasculares.
Diante disso, iniciativas focadas no condicionamento físico juvenil ganham papel de destaque no combate ao sedentarismo. Em um centro de treinamento especializado em atividades esportivas para crianças e adolescentes de Araçatuba, os alunos encontram um caminho para reverter esses indicadores. O educador físico Diego Ruano, responsável pelo espaço, revela uma realidade alarmante das salas de aula: cerca de 80% dos matriculados chegam ao local com diagnóstico de sobrepeso ou obesidade.
Segundo Ruano, o perfil dos jovens que buscam ajuda indica que o ganho de peso raramente surge de forma isolada, vindo acompanhado de dificuldades motoras e baixa flexibilidade.
Uma das principais barreiras no tratamento de menores é a resistência em praticar exercícios físicos tradicionais. Para contornar esse obstáculo, Diego explica que é perfeitamente possível fazer a criança gostar do exercício por meio de dinâmicas lúdicas. Ele sugere uma estratégia simples: transformar o movimento em brincadeira e entretenimento, um método acessível que qualquer família pode adotar facilmente dentro de casa para tirar os filhos da inércia das telas.
Complementando a prática de atividades, existem outras “receitinhas” cotidianas de grande impacto na rotina doméstica.
A nutricionista materno infantil Danielle Hara conta que uma estratégia que costuma funcionar é apresentar às crianças alimentos saudáveis de forma atrativa, melhorando a relação delas com o prato.
“É importante ensinar a criança a comer alimentos saudáveis, fazer refeições em família e incluir as crianças nas compras e preparo dos alimentos”, falou.
Pode até levar a criança ao supermercado e inseri-la no processo de escolha dos alimentos, principalmente os da ‘feirinha’, o que tornará isso um hábito divertido e muito educativo. Mas com uma ressalva: “Escolher o que ele quer, sem regras, sem limites, só alimento ultraprocessado, aí não é tão legal”, falou a nutricionista.
O estudante Pedro Malully, 13 anos, que há quase dois anos adotou uma rotina semanal de exercícios físicos, serve como prova viva de que a mudança de hábitos funciona. Ele conseguiu perder peso e melhorou a qualidade de vida.
Hoje, Pedro comemora os resultados e não esconde o orgulho da evolução na sua saúde e autoestima. Com um sorriso no rosto, o estudante resume o impacto psicológico e físico de sua jornada de superação de forma descontraída: “Eu me sinto até mais bonito”, comemora.