A família da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, que morreu após ser jogada sem corda durante um salto de rope jump, se manifestou pela primeira vez e disse que o crime é “inaceitável”. O caso ocorreu em 13 de junho em Limeira, no interior de São Paulo.
O caso provocou “profunda angústia e indignação”, disseram os familiares. A manifestação foi feita por meio de nota publicada no jornal Gazeta de Limeira e compartilhada pela mãe da vítima, Val Rodrigues, nas redes sociais.
Familiares afirmam buscar justiça. Eles pedem apuração rigorosa e que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados por suas ações e omissões. “Desejamos, acima de tudo, que a elucidação deste caso sirva de alerta para que situações como esta não se repitam, protegendo assim a vida de outros jovens”, diz o texto. Até ontem, seis pessoas haviam sido presas.
No comunicado, a família declarou que a morte de Maria Eduarda interrompeu uma vida cheia de planos e sonhos, deixando uma ausência profunda na vida de quem a amava. Eles dizem que a jovem, desde pequena, se destacava pela sua alegria, bom humor e energia contagiante. “Ela era uma jovem dedicada e estudiosa, com uma trajetória exemplar”, escreveram. De acordo com o texto, Maria Eduarda tinha formação em Nutrição Esportiva e concluiria a graduação em Educação Física em 2027. Ela trabalhava em uma academia da cidade onde vivia, Jandira, na região metropolitana de São Paulo. Jovem nutria muitos sonhos para o futuro. Ela namorava e planejava se casar em breve, pretendendo construir a sua própria família. “Todos esses projetos de vida foram ceifados”, afirma o texto.
“Agradecemos imensamente o apoio, a solidariedade e o carinho recebidos de todos, bem como o papel da imprensa na busca pela verdade e na divulgação deste caso. Pedimos que a privacidade da família seja respeitada neste período de grande sofrimento”, disse a família de Maria Eduarda, em nota.
ENTENDA O CASO
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas caiu de aproximadamente 40 metros de altura. O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou a morte no local, na trilha da Ponte do Esqueleto, segundo a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo). O caso foi registrado no 3ªDP (Limeira) como homicídio.
Quando os policiais militares chegaram, uma enfermeira tentava reanimar a vítima. Perto dela, estavam dois homens que se apresentaram como funcionários da empresa responsável por saltos no local, segundo o boletim de ocorrência. A dupla entregou os documentos pessoais, mas, segundo o boletim, acabou fugindo para uma área de vegetação no momento em que um policial se afastou para prestar apoio ao resgate.
BO aponta que uma testemunha mostrou aos policiais um vídeo do momento da queda. No registro, foi possível ver três pessoas, que seriam da empresa responsável pelos saltos, erguendo a vítima acima de suas cabeças e, depois, arremessando-a da ponte. O documento destaca que, de acordo com a gravação, não havia qualquer equipamento de segurança e a jovem foi lançada em queda livre.
Testemunhas apontaram falha no procedimento de segurança. Funcionários responsáveis pela atividade esqueceram de conectar a corda antes do salto, de acordo com relatos registrados pela Polícia Militar. Imagens mostram a reação logo após a queda. Um vídeo compartilhado nas redes sociais registra o momento em que a jovem é levada até a plataforma e lançada. Poucos segundos depois, pessoas que acompanhavam a atividade começaram a gritar alertando para a ausência da corda de segurança.
PRESOS
Até o momento, seis pessoas foram presas. Três instrutores —Luis Felipe Feliciano Egoroff, Vitor De Freitas Gonçalves e Maicon Fernandes Cintra— foram presos em flagrante. Na semana passada, a Justiça de São Paulo negou o pedido de habeas corpus a dois dos três instrutores presos. Eles não conseguiram explicar à polícia o que realmente aconteceu. A delegada plantonista Andréa Dantas afirmou que os homens não responderam se foi uma falha ou um lapso que fez com que a corda não fosse colocada na jovem.
Uma mulher e dois homens foram presos sábado (20). Os mandados de prisão foram cumpridos no Rio de Janeiro, contra uma mulher de 29 anos, e em Limeira (SP) e Indaiatuba (SP), onde dois homens de 25 e 27 anos foram presos. Os nomes dos três não foram revelados pelos órgãos de segurança. Presos no sábado integravam a equipe responsável pela organização e execução da atividade. Segundo a delegada responsável pela investigação, a polícia identificou que eles teriam sido responsáveis pelo desaparecimento de um equipamento de captação de imagens que foi utilizado pela vítima durante o salto. Além disso, também foi identificado que conteúdos digitais que poderiam ajudar no esclarecimento do caso foram excluídos após a ocorrência. Celulares e outros equipamentos eletrônicos também foram apreendidos nos endereços dos suspeitos.
*O texto e as informações são do UOL, de SP
