O desafio de percorrer a rota do ‘Caminho da Fé’ a pé pelas estradas paulistas uniu dois casais de amigos, que estão acostumados a se encontrar em viagens de moto ou de motorhome pelo Brasil e pelo exterior. Eles definiram como ponto de partida da jornada a cidade de Valparaíso (SP), na região de Araçatuba (SP).
Desde o último dia 8 de setembro, os quatro amigos — que se conhecem desde 2016 e são formados pelos casais José Carlos Gabriel, 68, e Janete Terezinha Flores, 54, além de Geleia [Wagner Sérgio Pereira], 57, e Natalia Cristina da Silva Veloso, 34 — iniciaram a caminhada rumo à Catedral Basílica de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba. A projeção é chegar ao destino até o dia 12 de outubro, data consagrada à padroeira oficial do Brasil.
Após uma semana na estrada, literalmente, os peregrinos (e por que não aventureiros) estavam em Urupês (SP) na tarde desta segunda-feira (14), quando concederam um papo rápido à reportagem do portal Nossa Guia. Gabriel e Janete são de Maringá (PR); ele é formado em teologia e ela é administradora de empresas, ambos aposentados. Geleia é militar da reserva e Natália, dona de casa. Os dois últimos são de Valparaíso.
TESTE
Os primeiros 50 quilômetros que separam Valparaíso de Araçatuba funcionaram como um teste para avaliar se o peso da bagagem nos carrinhos seria um empecilho. Passada essa etapa de três dias, o grupo seguiu de ônibus de Araçatuba a São José do Rio Preto (SP), onde a jornada de fato começou, tendo como ponto de partida a Basílica Menor de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
De lá até Aparecida, pelo chamado “Ramal São José” (a rota oficial que conecta a Basílica Menor no noroeste paulista ao Santuário Nacional), são mais de 890 quilômetros e mais de 40 municípios pelo caminho. O objetivo é cumprir uma média de 35 quilômetros diários.
MOTIVAÇÃO
A ideia de fazer o trajeto a pé surgiu de duas promessas feitas à santa. Geleia sofreu um acidente grave de moto na Argentina em janeiro passado: teve fratura exposta no tornozelo e, vendo o estado em que o ferimento ficou, temeu perder o membro. Ele pediu a intercessão da padroeira para que isso não acontecesse. Já Gabriel ficou muito doente durante uma viagem de moto, acometido por pneumonia e embolia, o que exigiu uma internação de 16 dias. Preocupado com o quadro de saúde, ele também resolveu apelar à santa. O resultado foram duas promessas de cumprir o Caminho da Fé a pé.
Os peregrinos decidiram realizar a rota no estilo “raiz”, como eles mesmos definem. Isso significa que levam em dois carrinhos de mão o estritamente necessário para caminhar durante o dia e pernoitar onde for possível — o que inclui postos de combustíveis, praças ou até mesmo calçadas.
Por isso, na bagagem há barracas, colchonetes, pomadas para eventuais bolhas nos pés, relaxantes musculares para aliviar o corpo à noite, além de roupas e alguns pequenos luxos tecnológicos: uma placa solar para carregar os celulares e uma antena de internet via satélite para garantir comunicação em locais com sinal fraco.
A alimentação é à base de marmitas compradas, mas eles também contam com o acolhimento e a hospitalidade de moradores ao longo das cidades. Na segunda-feira mesmo, por exemplo, foram convidados para passar a noite na residência de um casal em Urupês.
“Se Deus quiser, vamos chegar até o dia 12, mas, se for dia 13, 14 ou 15, também não tem problema. O importante é chegar”, resumiu Gabriel.
