Trabalhadores dos Correios decidiram entrar em greve nesta sexta-feira (11) em todo o Brasil. A paralisação por tempo indeterminado foi aprovada em assembleias na noite de quinta-feira por sindicatos de todos os estados, segundo a Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos).
Até o momento, a direção da empresa pública ainda não se posicionou sobre o movimento dos trabalhadores.
A decisão marca uma nova etapa da Campanha Salarial após o fim das negociações sem consenso. O principal ponto de impasse envolve o plano de saúde da categoria, que pode sofrer alterações propostas pela empresa.
Mesmo após várias reuniões e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho, a federação afirma que a estatal manteve sua posição irredutível sobre o benefício, impedindo um acordo.
A adesão ao movimento é ampla e engloba sindicatos representativos de todas as regiões do país, cobrindo a totalidade dos estados brasileiros.
No Norte, aderiram os sindicatos do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. No Nordeste, participam Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.
No Centro-Oeste, a greve conta com Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No Sul, estão confirmados Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e a base de Santa Maria.
No Sudeste, aderiram Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, além das bases de Campinas, Juiz de Fora, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Uberaba, Vale do Paraíba, Bauru e Santos.
CRISE
A paralisação ocorre em meio a um momento delicado, com a estatal acumulando 15 trimestres consecutivos no vermelho. Apenas nos primeiros seis meses deste ano, o prejuízo registrado somou R$ 5,6 bilhões.
Apesar do rombo recorde no primeiro trimestre de 2026, os números do segundo trimestre vieram um pouco melhores do que nos dois trimestres anteriores, sinalizando uma leve recuperação financeira.
Para aliviar o caixa, a empresa prevê fechar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões até 15 de setembro, valor que já havia sido confirmado nos balanços do primeiro semestre divulgados no fim de agosto.
O dinheiro deve vir de um consórcio com os bancos estrangeiros Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul, em modelo similar à operação do fim do ano passado, quando a empresa captou R$ 12 bilhões.
