A Justiça tornou réu o policial penal Gledson David Corassa Alves, 39, pelo assassinato de Robert Ronald Ramos Vieira, 29, na noite do dia 30 de agosto passado, na frente de um bar na rua Pedro Álvares Cabral, no Jardim Brasil, em Araçatuba (SP).
A decisão foi tomada na quarta-feira (9) pelo juiz Carlos Gustavo de Souza Miranda e agora o processo criminal está formalmente aberto. O réu responderá por homicídio agravado por duas situações: ter dificultado a defesa da vítima e pelo fato de ter colocado em risco a vida de outras pessoas próximas do local.
Nos próximos dias a Justiça vai começar a ouvir testemunhas de acusação e de defesa e analisar provas. O policial penal também será ouvido e poderá confirmar o que já disse durante a fase de inquérito policial ou apresentar nova versão sobre o crime.
O juiz Carlos Miranda determinou que a SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) envie a ficha funcional do policial penal e para informar se há alguma falta disciplinar cometida por ele durante a função.
VÍDEO
O juiz também mandou encaminhar o vídeo feito pela câmera de segurança do bar, com o registro da abordagem do policial, ao Instituto de Criminalística para ser feita a ampliação dessas imagens e a reprodução em modo lento do vídeo e áudio. O objetivo é tentar melhorar a visualização e percepção da ação.
A Justiça também determinou que a Polícia Civil apure com os estabelecimentos comerciais e bares próximos ao crime se o acusado trabalhava como segurança privado para algum deles.
O CASO
Segundo o boletim de ocorrência, o policial penal Gledson David Corassa Alves estava de folga e sem uniforme no momento em que tudo aconteceu.
De acordo com o registro policial, instantes antes dos disparos um casal de amigos começou a discutir no meio da rua. A vítima não participava desse desentendimento, mas a esposa de Robert contou que o marido demonstrou a intenção de tentar encerrar a discussão. Ele então foi até o carro e pegou lá um objeto que aparentava ser uma arma de fogo, colocando na cintura.
Segundo o boletim de ocorrência, o policial penal desconfiou da atitude da vítima e decidiu abordá-la. De acordo com o que ele alegou na delegacia, nesse momento, ao perceber que Robert fez menção de colocar uma das mãos na cintura, ele então atirou três vezes contra o homem usando uma pistola calibre 9 milímetros.
O próprio policial penal acionou o telefone de emergência contando o que tinha acontecido. Ele ficou no local até a chegada da equipe policial.
O SAMU (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência) foi acionado e conduziu o baleado à Santa Casa de Araçatuba, mas ele não resistiu aos ferimentos.
Durante o trabalho da polícia, verificou-se que o objeto levado pela vítima na cintura era uma arma falsa ou de brinquedo.
Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, as imagens mostram que o agente de segurança efetuou os disparos, mas não demonstram que o homem ferido oferecia perigo ao policial penal ou a outras pessoas lá próximas.
O policial penal foi preso em flagrante e depois teve a prisão preventiva decretada.
